sábado, 21 de novembro de 2009

MINI CONTO


LINHA DIRETA PARA O COLO DO CAPETA
Iníquo, mau cidadão, marido infiel, gatuno ardiloso, foi alçado do anonimato por outro homem público, este maculado pelas falcatruas mais abjetas, ladravaz impune; seguiu-lhe os passos; refugiou-se na política onde as leis da vala comum não se aplicam; onde a impunidade é linha mestra que conduz homens da aviltante pobreza ao pináculo das fortunas não explicadas; onde existe uma zona cinzenta de desonestidade que é moeda de troca entre mãos sujas. Cometeu os maiores roubos do dinheiro dos contribuintes; rapinou verba que seria empregada em hospitais, salvaria vidas; praticou pilhagem obscena do erário público; amealhou milhões; enquanto pilhava, escarneceu da sociedade e colocou-se acima das leis dos homens, zombando também das regras divinas. Arrogante, julgou-se imortal e intocável. O câncer, às vezes instrumento de justiça invisível e cruel, corroeu-lhe as entranhas e conduziu-o ao inferno, onde deverá queimar para sempre. JAIR, Floripa, 21/11/09.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

MINI CONTO



REFLEXÃO FINAL
Sentado na pedra à beira do deserto, sentia-se compelido a refletir sobre sua vida tão curta ainda, e prestes a findar em algumas horas apenas. Sacrifício extremo a que se expunha em nome de ideologia que lhe fora empurrada goela abaixo, e que não digerira o suficiente para entender: “Quando explodisse junto às pessoas que estavam condenadas por não partilhar suas crenças, iria para o paraíso, isso ele entendia. Mas, e essas pessoas? Elas também têm uma crença; elas acreditam que ao morrerem suas almas vão para o céu, e lá serão felizes. Então, se eu eliminá-las, estou, na verdade, causando-lhes um bem; estou lhes concedendo a oportunidade de viverem no paraíso como desejam. Se meu gesto, como me foi ensinado, é de vingança, é para lhes causar mal, não vejo como pode ter sentido matá-las”. Foi seu último pensamento antes de premir o detonador da bomba afixada em seu corpo. JAIR, Floripa, 20/11/09.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

MINI CONTO


DECEPÇÃO NO HIPÓDROMO
A megera mostrara o tufo de pêlos afirmando tratar-se de pêlos do animal castanho, de nome Glifo, que competiria no quarto páreo. Verdadeira barbada, afirmava ela. O DNA não deixara dúvidas, era, de longe, fisicamente o melhor cavalo; o que reunia as melhores condições genéticas do hipódromo deste, ou de qualquer outro dia. Acreditei nela, apostei tudo e perdi. Perdi porque havia acreditado no resultado da análise daquele tufo de pêlos que, no fim, mostrou-se apenas barbada velhaca dela, aquela desnaturada. JAIR, Floripa, 18/11/09.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

MINI CONTO


JUSTIFICANDO
Não consigo entender, sei que tenho feito o que é preciso, tenho cumprido a incumbência divina que me foi confiada, no entanto, a polícia e a imprensa não estão percebendo o belo resultado de meu desempenho, vejam estas manchetes: “JÁ SÃO ONZE AS VÍTIMAS DO SERIAL KILLER”, “POLÍCIA PROMETE PRISÃO PARA BREVE!”. Parece que eles se referem à outra pessoa, a outros fatos, porém, é de minha pessoa que eles estão falando! Quando volto para casa, para meus filhos e minha mulher depois do trabalho, às vezes, fico tentado a gritar para o mundo: “Será que vocês não percebem? Afinal eram apenas Freis Dominicanos, gente que não merecia viver!” JAIR, Floripa, 17/11/09.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

VAMOS PARAR COM AMADORISMO MINHA GENTE!



ou
(No Brasil o achismo é uma ciência exata)


O Patropi é um país no mínimo estranho. Desde a imprensa até as autoridades, passando pelos cidadãos comuns, sejam quais forem, não dão o tratamento devido aos acontecimentos, fatos e eventos, não se preocupam em encontrar explicação ou justificativas profissionais e sérias para ocorrências que, por sua magnitude, efeitos ou importância, tragam algum prejuízo para a população. O que se vê é improviso e amadorismo, sempre. Quando ocorre um fato de repercussão nacional, lá vêm os políticos e os “especialistas” em isso ou aquilo dar explicações, o mais das vezes estapafúrdias, sobre o ocorrido. É assim quando de um desastre aéreo, ou enchente, ou ainda falta de energia que atinge muitas cidades, por exemplo. Agora, com o chamado apagão desta semana, não foi diferente. Lá vem um tal de ministro Lobão, um incompetente de carteirinha, explicar por que houve o tal desligamento; lá veio uma tal ministra ou qualquer coisa, Roussef, com jeitão de professora primária, explicar didaticamente o que teria havido; lá vieram alguns deputados e senadores tanto da oposição como do governo, explicar exatamente o ocorrido, sendo que de acordo com a posição política de cada um a explicação era diferente, contraditória mesmo. Minha gente! Vamos parar com amadorismo! Fatos importantes e ligados ao mau funcionamento de alguma coisa, seja de linha de transmissão, de usina, de condição meteorológica ou do caralho a quatro, SEMPRE existe um TÉCNICO ESPECIALISTA responsável e profissional que SABE. Sempre haverá uma explicação técnica e profissional aceitável! SEMPRE! Não existe necessidade de Lobos, Roussefs, políticos e administradores virem à televisão falar besteiras! O público está com o saco cheio disso! No caso do apagão, o que o Lobo mau deveria fazer era ligar para o engenheiro responsável lá de Itaipu e solicitar uma explicação técnica por escrito e, se quisesse, ler o comunicado na televisão. E não ficar, frente às câmeras, exercendo o achismo como se ciência exata fosse. Garanto que teria satisfeito a imprensa e o público, e teria consumido menos paciência nossa. Vamos parar com amadorismo, afinal é urgente que o Brasil finja que é um país sério, pois tem que se preparar para os Jogos Olímpicos de 2016! JAIR, Floripa, 13/11/09.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O SUPER VIRA-LATAS


Desde que o homem, provavelmente há mais de dez mil anos, domesticou o lobo asiático, convive com seus descendentes seja na forma de raças (selecionadas geneticamente) novas ou da raça original adaptada ao meio humano. O Dingo (Canis lupus dingo), canideo que vive no meio selvagem australiano, provavelmente é um cão doméstico que foi revertido para o estado selvagem há milhares de anos e hoje vive em grande parte independente dos seres humanos, na maioria de sua distribuição. Os Dingos são considerados os únicos grandes mamíferos placentários da Austrália, além dos seres humanos, e parecem semelhantes aos cães domésticos, mas sua adaptação ao meio selvagem é de tal ordem que considerá-los nativos não é estultice. Também sua origem ainda é assunto em aberto e sob muita especulação e debate desde o século 18. No entanto, estudos arqueológicos indicam sua introdução foi relativamente tarde, por volta de 5000 anos atrás, e há uma estreita relação com outros cães domésticos. Uma teoria amplamente aceita diz que dingos evoluíram ou foram criados a partir do lobo asiático em torno 6,000-10,000 anos atrás, teoria também aceita para todos os demais cães domésticos. No entanto análises genéticas indicam uma domesticação muito mais cedo. Dingos têm uma cabeça relativamente grande, um focinho pontudo, e orelhas eretas, mede em torno de 52-60 centímetros de altura nos ombros e o macho adulto chega a pesar 27 quilos. Os machos são normalmente maiores e mais pesados que as fêmeas da mesma idade. Sua pelagem é geralmente amarela, podendo variar de marrom avermelhado até o quase branco. As pernas são cerca de metade do comprimento do corpo e da cabeça juntos. Como todos os cães domésticos, os Dingos tendem para uma comunicação fonética, a a diferença é que eles usam principalmente gritos e choramingos e latem com menos freqüência do que outros cães. Foram registrados, oito classes de sons com 19 variações usadas em ocasiões diferentes. Dingos vivem hoje em todos os tipos de habitats, incluindo a coberto de neve florestas montanhosas do leste da Austrália, secos desertos quentes da Austrália Central, e as zonas úmidas de florestas tropicais do norte da Austrália. Alimentam-se de insetos, répteis, aves e mamíferos que normalmente caçam. Hoje, o Dingo é considerado como parte da fauna nativa da Austrália pelos ambientalistas, bem como os biólogos, especialmente porque já existiam no continente antes da chegada dos europeus, e uma adaptação mútua dos cães ao meio e deste aos cães havia ocorrido. No entanto, há também a opinião contrária, que dingos são apenas outro predador originário da Tailândia. Entretanto, sejam quais forem sua origem, idade de domesticação ou descendência, o que se tem que admitir é que são animais extremamente adaptados a um meio inóspito que não perdoa fraquezas e vacilos. O out back australiano, deserto vasto e hostil, não permite que sobreviva qualquer ser que não seja, pelo menos, particularmente resistente, tenaz e adaptável. A falta de água, a escassez de abrigos e a inclemência do clima selecionam as espécies, deixando que sobrevivam apenas as melhores. Considerando que vira-latas é aquele cão sem raça definida que se adaptou a viver e reproduzir-se com sucesso nas piores condições possíveis, o Dingo pode ser considerado um um super vira-latas. JAIR, Floripa, 12/11/09.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

NEOCOLONIALISMO: IMPERIALISMO RECICLADO


Até historiadores concordam que é muito difícil definir em que consiste o imperialismo; quais características lhe são imanentes e que determinam sua aparência, sua figura. Contudo, sob variadas formas, é algo que sempre existiu no decorrer da história da humanidade; e a ele a sociedade moderna, em particular a capitalista, incorporou novas formas específicas. Não sem propósito, o capitalismo americano tornou-se o principal expoente da modalidade não transparente nem direta que veio a ser conhecida como neocolonialismo. Este jeito de fazer, digamos oblíquo, contrasta de modo muito marcante com o método anterior, particularmente agressivo, representado pelos impérios europeus que anexavam e ocupavam territórios, sujeitando seus povos a controle direto, a mais das vezes através de violência e submissão. De qualquer forma, e a despeito das diferenças, ambas as modalidades partilham de objetivos comuns. Falando de maneira bem genérica, e levando em conta que qualquer que seja a relação entre a força econômica e as demais forças que operem como causas de domínio, o imperialismo, e, por extensão, o neocolonialismo, hoje se expressa pela coerção exercida por uma potência, por quaisquer meios, para auferir lucros ou vantagens além dos que são lícitos ou normais pelas simples troca comerciais, de resto, esperáveis entre duas nações livres e soberanas. Sob esse ângulo, o neocolonialismo pode ser visto como uma continuação ou uma intensificação, dentro da era capitalista, da compulsão do maior ganho possível com o menor custo, que constituiu a marca registrada dos domínios feudais, por exemplo. Ainda mais, quando uma nação abriga entre seus construtores, um pensador que se assim expressou: “Deus predestinou, assim a humanidade espera, um papel grandioso à nossa raça, e percebemos coisas grandiosas nas nossas almas, a vanguarda das nações, por direito, deve nos pertencer”, é de se esperar que essa nação queira exercer o “direito” divino que lhe foi autorgado. Em outras palavras, o resto da humanidade é considerado apenas matéria prima passiva, argila a ser moldada pelas mãos do oleiro ungido. Numa compreensão mais básica, o resto do mundo é o pomar onde o Império pode colher sem culpa os frutos que são seus de direito. Essa pressuposição de superioridade, provavelmente um legado do Império Britânico, é o que move os colonialistas modernos rumo ao domínio do Planeta. Na verdade, esse imperialismo que repudia o próprio nome, apresenta a face escanhoada e inocente do comércio vantajoso (para eles, é claro) em substituição ao esbulho praticado pelos impérios europeus anteriormente. Quando Bush invade países sob a falsa alegação de insegurança do ocidente por causa de possíveis armas de destruição em massa, está apenas exercendo o direito divino de fazê-lo, não há contradição no ato nem pudor pelos resultados, está escrito nas estrelas que assim deve ser feito. Que o domínio do petróleo existente na porção invadida seja o mote da agressão, não precisa ser dito nem nas entrelinhas; o dono do bem não necessita provar a propriedade, basta-lhe tomar posse. Os EUA, depois do término da guerra fria, se sentem ainda mais livres para exercerem o que consideram autorga divina irrestrita e intransferível: praticar o neocolonialismo, sua forma predileta de imperialismo reciclado. JAIR, Floripa, 11/11/09.